Moçambique enfrenta cheias de grande escala no sul e centro do país, com impacto humano e infraestrutural significativo. De acordo com atualizações recentes, entre 600 mil e mais de 700 mil pessoas foram afetadas desde finais de dezembro, com dados oficiais do INGD a apontarem para mais de 717 mil afetados e 122 mortes na atual época chuvosa, números que continuam a evoluir. Agências da ONU confirmaram a ativação de financiamento de emergência e operações de busca e salvamento, incluindo 5 milhões de dólares do CERF para apoiar a resposta liderada pelo Governo.
Na passada quarta-feira, dia 21, durante a reunião que manteve com a Associação dos Cônsules em Moçambique (ACOMOC), presidida pelo Dr. Noor-Momade, a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, apelou à mobilização do corpo consular para reforço da assistência a deslocados. No dia seguinte, menos de 24h depois, a ACOMOC organizou e entregou cerca de 20 toneladas de bens essenciais em frente às instalações do MINEC, com a Ministra a formalizar a receção, numa ocasião em que estiveram também presentes representantes do INGD.
Durante a cerimónia de entrega, Maria Manuela Lucas enquadrou a urgência do momento: “Todos sabemos aquilo que estamos a enfrentar. O nosso povo está na água. Alguns nos telhados das suas casas e outros nas árvores. Esta é uma responsabilidade para todos nós.” Salientou o caráter público do gesto — “Este é um donativo para o povo moçambicano” — valorizando a prontidão da ACOMOC: “Isto é um gesto de patriotas. Apesar de estarem em representação de outros países, são patriotas. Por isso estão aqui para fazer essa doação”, sublinhando o tempo recorde entre o apelo feito no dia anterior e a entrega.
Em representação do corpo consular, o Dr. Noor-Momade conduziu a entrega e a articulação operacional com o MINEC e o INGD, destacando a lógica de execução em emergência: “A prioridade foi pôr meios no terreno em horas, não em semanas, em coordenação com as autoridades, para chegar mais depressa às famílias atingidas.” Compete agora ao INGD integrar o lote nos seus circuitos de distribuição e assistência nas zonas mais críticas.
Este é um momento que demonstra de uma maneira diferente a força da diplomacia de proximidade, neste caso num contexto de desastre natural: os cônsules honorários, organizados na ACOMOC, funcionam como ponte entre necessidades no terreno, canais de apoio e instituições públicas, em linha com o foco do MINEC na diplomacia económica e humanitária.
As cheias provocaram deslocações em massa e cortes de vias, com mais de 300 mil deslocados na província de Gaza e agudização de riscos sanitários, segundo autoridades e parceiros internacionais. Em paralelo, relatos de imprensa e atualizações humanitárias apontam para mais de meio milhão de pessoas afetadas em Gaza e Maputo, com operações de busca e salvamento e aberturas de abrigos temporários em curso.
Para Noor-Momade, o caminho a seguir é apenas um. “A ACOMOC manterá a articulação com o INGD para afetação e distribuição dos bens”, referiu o presidente da associação, garantindo que qualquer nova acção será sempre de acordo com “as prioridades operacionais, sempre acompanhando a evolução da situação nas províncias mais afetadas, junto do INGD”.
O sistema humanitário alerta que as próximas semanas serão determinantes para estabilizar abastecimento, mitigar riscos e apoiar regressos seguros.


