“O Turismo em Moçambique como um instrumento de desenvolvimento sustentável” reuniu decisores públicos e privados para discutir soluções concretas, num painel que destacou a conectividade aérea como condição-base para destinos competitivos e que teve como oradores convidados o PCA da COTUR, Dr. Noor-Momade e o Diretor Nacional do Turismo, Claire Zimba, entre outros.

A FACIM acolheu hoje, um workshop com o tema “O Turismo em Moçambique como instrumento de desenvolvimento sustentável”, num evento com intervenções do Diretor Nacional do Turismo, Claire Zimba, e do PCA da COTUR, Dr. Noor-Momade. Foi um momento raro – e necessário – em que turismo e as viagens ganharam palco num fórum da dimensão da FACIM, apontando caminhos práticos para que o setor pese mais na economia.

Noor-Momade trouxe uma ideia simples e objetiva: sem aviões não há destino competitivo. “Sem transporte aéreo eficiente, não existe turismo competitivo”, afirmou, defendendo que ligações diretas, frequentes e diversificadas são o ponto em que o potencial se concretiza em resultados reais. A partir daí, o debate centrou-se na acessibilidade como variável que decide preço, frequência e atratividade para lazer e negócios.

O executivo da COTUR sublinhou que a conectividade molda a própria concorrência entre destinos: onde há boas ligações, há tarifas mais previsíveis e mais operadores; onde não há, o destino sai das prateleiras internacionais. “Se os voos são caros ou raros, os turistas não chegam”, resumiu, defendendo também a integração de Moçambique em hubs internacionais (Joanesburgo, Doha, Adis Abeba, Lisboa) para multiplicar origens via conexões eficientes e estimular o turismo multidestino.

Houve espaço para olhar o terreno com realismo. Hoje, as principais portas de entrada (Maputo, Nampula, Beira, Pemba e Vilankulo) enfrentam baixa frequência, tarifas elevadas e poucas ligações diretas internacionais, além de ligações domésticas escassas. O resultado é evidente: os viajantes comparam e, muitas vezes, optam por vizinhos com melhor acessibilidade. O diagnóstico foi consensual entre os presentes: resolver a conectividade é condição para destravar investimento e emprego.

No capítulo das soluções, ganharam tração três ideias: reforçar rotas com hubs regionais e globais, parcerias público-privadas para atrair companhias e qualificar aeroportos regionais, e criar um hub nacional (Maputo ou Nacala) que ligue África Austral ao Índico e à Ásia. 

Em paralelo, é fundamental a aposta numa promoção internacional  consistente, alinhada com estas novas rotas — “rotas sem marketing não consolidam procura”, apontou o PCA da COTUR.

Deixou claro também que “a conectividade é a infraestrutura invisível essencial à transformação do potencial em resultado real para o turismo de Moçambique”, ligando o tema à agenda do setor privado: encadear turismo com hotelaria, restauração, artesanato, transportes e eventos, de forma a reter valor nas comunidades e gerar emprego qualificado.

Este workshop deixou boas indicações e um ponto incontornável: fazem falta mais debates a esta escala com governo, reguladores, operadores e investidores. 

No final, ficou claro que este caminho tem de continuar a ser feito, colocando o turismo e as viagens no centro da conversa pública e construindo pontes com as instituições responsáveis. Conforme disse Noor-Momade, “as soluções surgem quando política pública e capacidade empresarial remam na mesma direção e essa é a nossa responsabilidade”.